Preço da energia no mercado livre – Cenários e Perspectivas

As usinas hidrelétricas respondem por 71% da energia consumida no país. Com o crescimento de outras fontes, como eólica, solar e biomassa, a expectativa é que no final de 2021 essa taxa reduza para 68,3%. Ainda por muitos anos o preço da energia estará fortemente atrelado aos índices de precipitação de chuvas e da quantidade de água nos reservatórios.

Quando as condições hídricas não são compatíveis com o consumo, o Operador Nacional do Sistema precisa acionar o parque térmico forçando o preço da energia para cima.

 

Chuvas

As chuvas do período úmido vieram de forma esparsas, com pouca persistência e em alguns meses abaixo da média histórica. No entanto, foi um período úmido melhor que 2016/2017 e com janeiro sendo um mês importante de chuvas na média.

O destaque foi para o Nordeste que vinha experimentando ciclos hidrológicos com volumes inferiores a 50% da média e neste ano teve chuvas próximas a 70% da média de longo termo (MLT).

Segundo a comercializadora WX Energia, para abril/2018, instabilidades associadas a movimentos sobre o atlântico levarão a acumulados sobre o Sul e o Sudeste. Posteriormente ocorrerão instabilidades associadas que atingirão o Brasil Central e Sudeste levando a acumulados significativos nessas regiões. Nesta segunda semana de abril, o sistema frontal associado a este último movimento deve permanecer estacionário sobre o Brasil central levando a acumulados importantes sobre as bacias em destaque como o Grande, Paranaíba e Alto Paraná, situadas do norte do Sudeste.

Tais chuvas previstas em abril fizeram o PLD da 1ª semana do mês começar no piso (R$40,16/MWh). Acreditamos que essa possa ser uma janela de oportunidade interessante para viabilizar migrações e/ou renovar contratos em 2019.

“Houve uma recuperação boa dos reservatórios, o que nos dá uma perspectiva de ter um ano mais tranquilo do que foi o ano passado”, diz Luiz Eduardo Barata, diretor geral do ONS. “Porém, é importante fazer uma ressalva. Apesar de termos uma melhora nos reservatórios, em especial nos rios Grande, Paranaíba e Tocantins, não choveu nas cabeceiras dos rios. As afluências se concentraram no meio das bacias o que fez com que não tenhamos conseguido recuperar os reservatórios das usinas de cabeceira”, detalha a autoridade máxima  responsável pela operação do Sistema Interligado Nacional (SIN).

 

Níveis dos reservatórios

Os reservatórios apresentaram recuperação conforme o período úmido foi acontecendo. A observação desta variável mostra que a consistência de chuvas foi forte o bastante para recuperação acentuada dos volumes armazenados. Não foi uma recuperação consistente com altos volumes, mas com tais índices, descarta-se a possibilidade de racionamento.

Abaixo na tabela 1, a evolução dos níveis de reservatórios nos principais subsistemas (SE e NE):

Observou-se que a velocidade de recuperação foi lenta, gradual e permitiu percentuais acima de 40% no SE (Sudeste) no final do período úmido.

 

Reajuste de Tarifas

A forte alta verificada nas revisões tarifárias não deverão se repetir nos demais reajustes ao longo do ano. Previsão da consultoria TR Soluções indica que em 2018 o aumento na média tensão deverá ficar em torno de 13,08% conforme mostrado no Gráfico 1. De acordo com Paulo Steele, diretor da TR Soluções, as altas expressivas vieram devido a uma soma de fatores, como processos de revisões tarifárias sofridos pelas distribuidoras, indenizações da rede básica, saldo da conta bandeiras e o orçamento da CDE em 2018.

Os custos em indenizações da rede básica para as empresas que tem reajuste a partir do segundo semestre do bandeira negativa, que está com um saldo negativo de R$ 3,7 bilhões, o que ocasiona transferência para a tarifa.

Com o provável acionamento da conta, o saldo da conta vai ser alterado, com o saldo negativo diminuindo ao longo dos próximos meses. (Fonte: TR Soluções)

 

Preços de Energia atuais

O preço de Curto Prazo (PLD) tem experimentado bastante volatilidade devido ao período chuvoso no início do ano, sendo que em alguns meses as chuvas ficaram ligeiramente abaixo da média história.

O PLD de dezembro/2017 foi de R$ 235,07/MWh e de janeiro foi de R$ 180,07/MWh.

Para o longo prazo, observa-se procura elevada pela energia incentivada 50% para o ano de 2019 com os preços atingindo valores entre R$ 245,00/MWh em janeiro/2018 e R$ 285,00/MWh para março/2018. Para energia convencional também houve elevação (em grande parte pela pouca recuperação dos reservatórios) que saltou de R$ 165,00/MWh em Janeiro para R$ 210,00/MWh em Março.

 

Previsão sobre aumento de carga

O crescimento da carga tem se mostrado de forma tímida, mas gradual em linha com a retomada do crescimento econômico.

A seguir na tabela 2, o crescimento do consumo, por classe, segundo a EPE:

O ano de 2017 mostra recuperação no consumo de energia do país, sendo observado um crescimento no centro de gravidade de 1,3% em relação ao ano de 2016, embora ainda se encontre em patamares próximos aos valores de 2014, onde foram registrados os maiores valores antes da crise.

 

Falta lastro de energia incentivada em 2019

A quarta edição do estudo sobre a disponibilidade de lastro de energia incentivada, aponta uma sobra de 1.134 MW médios para 2018. Porém, de acordo com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, o cenário atual indica que para 2019 há um déficit de 236 MW médios ao longo do ano em decorrência do retorno do  comprometimento dos montantes liberados nos mecanismos de descontratação realizados para 2018.

Parte desse déficit vem do aumento de 2.881 novas cargas no ano de 2017 registrado pela CCEE, sendo a maior parcela dessas novas cargas composta de consumidores especiais, ou seja, que consomem energia incentivada. O gráfico abaixo apresenta a evolução das migrações no ano de 2017 e a faixa de consumo dos novos agentes.

Das novas migrações, a grande maioria encontra-se na faixa de consumo de até 0,4 MWmédios, tratando-se de pequenos consumidores e naturalmente com demandas inferiores a 3.000 kW.

Tal demanda tem provocado um aumento no prêmio pago pela energia incentivada (R$ 70,00/MWh) o que tem colocado os preços de energia incentivada para 2019 em patamares de R$ 285,00/MWh. No entanto, há  possibilidade de redução nos preços pelos seguintes motivos:

Os mecanismos de devolução que atuaram em 2018, liberaram lastro de energia incentivada.

Para 2019 os consumidores beneficiados pela lei 13.360/2016 optaram em massa pela compra de energia  convencional, o que liberaria 945 MWmédios.

Face a esse cenário, a BASE Energia opta por atuar de forma conservadora na gestão dos consumidores, a compra de energia antecipada com economia frente ao Mercado Cativo se mostra a opção mais segura. No entanto, pelos motivos apresentados, não são descartadas quedas no prêmio de energia incentivada no ano de 2019 e isso pode refletir nos preços para baixo.