Precipitação e Reservatórios – Maio/2017

1. Precipitação Média Mensal – Maio/2017

O mês de maio acompanhava, até o dia 18, as afluências abaixo da média registrada no último período chuvoso.

Até o dia 17, a % sobre a MLT* das afluências apresentava o valor de 78% da MLT. A partir do dia 18 a situação se inverte e sobe os  níveis do reservatório do SE/CO em 2 p.p.

Tal precipitação atípica, somada a uma carga baixa apresentada da última reunião do PMO, realizado pelo ONS em 26/05, gerou forte volatilidade no PLD, saindo de patamares de R$ 400,00/MWh para valores em torno de R$ 118,00/MWh.

 

2. Níveis dos Reservatórios Equivalentes

A subida de 2 p.p. nos reservatórios do sudeste melhoram o cenário de preços e geração de energia para o curto prazo e segundo semestre de 2017.

No entanto, cabe lembrar que a média histórica para este mesmo período é de 68,9% o que gera um desvio de 25,3 p.p para menos.

 

 

3. Situação Estrutural

A situação para o longo prazo não se alterou de maneira significativa, pois reservatórios em 43% não são um cenário muito confortável.

O racional é que os próximos 4 meses, que são os de estiagem histórica mais forte (junho, julho, agosto e setembro), e uma queda esperada de 5 p.p por mês, leva os níveis a 23% em outubro, situação crítica e com forte dependência do próximo período chuvoso (2017/2018).

Obviamente, o produto ano 2018 Incentivada 50% sente um reflexo de tal volatilidade, tendo em vista se tratar de um produto de médio prazo. No entanto, a queda esperada é da ordem de menos de 10% sobre a curva de longo prazo, saindo dos valores de R$ 270,00/MWh na semana entre os dias 08/05 a 12/05 para valores entre R$ 258/MWh – R$ 255,00/MWh na semana entre os dias 22/05 a 26/05.

Para o produto ano 2019 a queda foi ainda menor ficando por volta de 4-3% de redução nos preços. Como se trata de um produto longo prazo, a situação estrutural e a ocorrência de dois períodos chuvosos leva o preço da energia incentiva próxima a curva do CME – Curva Marginal de Expansão.

 

 

4. Conclusão

A forte volatilidade cria um compasso de espera no Mercado, com consumidores esperando uma queda maior, ofertantes ajustando posição e risco e escassez de oferta em um primeiro momento.

Os produtos FLAT com financiamento de longo prazo perdem sentido uma vez que para o produto 5 anos apenas o ano de 2018 teria financiamento (R$ 220,00/MWh já é o preço atual para 2019).

Para o produto 6 anos, a queda no ano de 2018 faz o ofertante tentar vender o ano 2018 na curva de Mercado tendo em vista que seu portfólio médio pode estar contratado próximo ao valor praticado (R$ 215,00/MWh).

 

*MLT –  Média histórica de Longo Termo, é a média aritmética das vazões naturais, correspondentes a um mesmo período, verificadas durante uma série histórica.