Panorama Energético – Mercado Livre

O fato do Brasil ser muito dependente de chuva para produção de energia elétrica introduz uma parcela de incerteza considerável na previsão de capacidade de geração e, consequentemente, nos preços da energia elétrica, tanto no mercado cativo quanto no mercado livre. Neste contexto elaboramos mais um infoBASE com objetivo de filtrar informações relevantes e apresentá-las de forma clara e objetiva, auxiliando nossos clientes a entender o cenário atual e dar uma previsibilidade das condições tarifárias futuras.

OBS: As informações contidas neste boletim refletem a visão da BASE Energia considerando principalmente os posicionamentos dos órgãos oficiais do setor elétrico e opiniões de especialistas independentes.

 

Chuvas

O período úmido de 2017/2018, que é representado pela umidade da Amazônia avançando para o Centro-Oeste do país, está com um atraso de cerca de 20 dias do seu início, sendo que este fenômeno já deveria ter acontecido em 15 de outubro e até o momento não aconteceu só existindo a possibilidade de vir a acontecer no sudeste a partir de meados de novembro segundo meteorologistas.

Os números a seguir mostram os níveis atuais de armazenamento dos reservatórios nas quatro regiões.

Estudos indicam uma tendência de que as chuvas deste período tenham a possibilidade de ficarem abaixo da média histórica não conseguindo grandes volumes ao ponto de reverter o quadro atual, de modo que os reservatórios não alcancem os níveis necessários para a manutenção ao longo do ano, levantando dúvidas sobre as perspectivas do abastecimento para o segundo semestre de 2018.

Existe ainda a possibilidade de que no próximo ano haja um novo atraso, intensificando as preocupações sobre o abastecimento energético. Assim, a operação do sistema elétrico de 2018 dependerá fortemente deste próximo período úmido que deverá ficar abaixo da média como se observa no Gráfico a seguir.

Há que se dizer porém, que o volume de chuvas da temporada que se aproxima não precisa estar na média para dar certa folga operativa, mas ficar em cerca de 60% na média de longo termo em todo SIN (Sistema Interligado Nacional) poderá sofrer uma maior dificuldade de operação exigindo mais do sistema elétrico, sendo refletida mais no preço do que no abastecimento da demanda. Ou seja, concretizando-se as previsões de chuva para o próximo período úmido, não há risco de abastecimento mas certamente levará a um cenário de preços altos no mercado livre.

 

Estratégia

Neste cenário de chuvas não favoráveis que pressiona o aumento do preço tanto no curto prazo quanto no longo prazo, a BASE Energia acompanha os níveis dos reservatórios, as tendências de preço e adota estratégias de compra para os seus clientes do mercado livre buscando protege-los e evitando exposição desnecessária ou demasiadamente arriscada. Mesmo em um cenário adverso e com preços que não refletem a situação do início de 2016 a BASE Energia aconselhou seus clientes a se contratarem porem garantindo consistentes ganhos frente ao mercado cativo. Esta estratégia conservadora, tendo em vista menores possibilidades de capturar preços como os praticados no início de 2016, garante obter os benefícios do Mercado livre como previsibilidade e redução de custos.

Além disso, a escolha de fornecedores de energia é feita com todo critério. São escolhidos fornecedores com reconhecida solidez, através de sólidas parcerias com importantes players do mercado, haja vista que com a adversidade de cenários mostrada, alguns fornecedores podem não suportar a volatilidade colocando em risco a contratação do cliente.

 

1º Energy Expo Fórum

A BASE Energia participou da 1º Energy Expo Fórum realizado no início de outubro deste ano em São Paulo, onde pôde conhecer fornecedores de peso no cenário energético nacional, permitindo ampliar o leque de fornecedores de energia confiáveis para todos os clientes.

Um estudo realizado pela CCEE (Câmara Comercializadora de Energia Elétrica) em agosto deste ano e  novamente debatido no evento mostrou a possibilidade da falta de lastro de energia incentivada para 2018, tendo em vista a quantidade de migrações para o mercado livre nos anos de 2016 e 2017, principalmente de consumidores especiais que utilizam tal energia. Este alerta mostra que a geração de energia deste tipo de fonte não acompanhou o crescimento da demanda. Por isso, a BASE Energia optou por contratar geradores que possuem lastro próprio deste tipo de geração, dando maior segurança no fornecimento e ao contrato.

 

Bandeiras Tarifárias

A bandeira tarifária de novembro continuará vermelha patamar 2, o que vai representar para o consumidor custo adicional de R$ 5,00 a cada 100 kWh consumidos. A decisão da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) reflete a situação crítica dos reservatórios das hidrelétricas, que tem obrigado o ONS (Operador Nacional do Sistema) a manter em operação uma grande quantidade de usinas térmicas, inclusive as que têm custo mais alto.

Os novos valores das bandeiras, que seriam aplicados a partir de janeiro de 2018, foram antecipados pela ANEEL para novembro, onde na amarela o adicional, que antes era de R$ 2,00 a cada 100 kWh consumidos, passou para R$ 1,00, na bandeira vermelha patamar 1, o valor continua em R$ 3,00 e na vermelha patamar 2 aumentou de R$ 3,50 para R$ 5,00 a cada 100 kWh.

O valor arrecadado vai aliviar o custo financeiro das distribuidoras, que tem sido superior à receita da Conta Bandeiras. O déficit até agora da conta é de R$ 1,7 bilhão. (Fonte: ANEEL)

Vale lembrar que consumidores pertencentes ao mercado livre de energia não estão sujeitos às bandeiras tarifárias.

 

Mercado Cativo

Para os consumidores do mercado cativo o primeiro impacto provocado pela escassez de chuva é a utilização das bandeiras tarifárias, que em 2018 deve-se comportar de forma similar a 2017, com pelo menos 10 meses de bandeira.

Outra consequência neste mercado é que, com o risco hidrológico alto, os preços de energia nos leilões naturalmente sobem. Os leilões são os principais meios de compra utilizados pelas concessionárias distribuidoras de energia e consequentemente trará aumentos tarifários para os consumidores cativos na medida em que as distribuidoras tiverem que renovar os seus contratos.