InfoBase #12 – Impactos da Pandemia

Atraso nas chuvas e retomada econômica muda cenário de preços de energia

Impactos COVID-19 no cenário da energia elétrica

Indiscutivelmente a pandemia causada pelo COVID-19 mudou o cenário de diversas atividades econômicas, bem como, a organização social e a saúde pública. A Humanidade se viu diante de uma ameaça real que nos obrigou a rever conceitos, planejamentos, formas de relacionamento, meios produtivos etc.
Aqueda no consumo de energia no início da pandemia, principalmente das indústrias, fez o setor elétrico se rearranjar, com redução nos preços e recuperação de reservatórios. Além disso, foram necessárias medidas para mitigar a inadimplência nas distribuidoras bem como a digitalização do atendimento em maior escala.
O gráfico abaixo apresenta a diminuição da carga em abril de 2020 diante das medidas restritivas decretadas.

Em decorrência da redução no consumo industrial e comercial, a sobra de energia fez o patamar de preços ser alterado significativamente, conforme apresenta o gráfico a seguir, no qual aponta os valores do PLD em janeiro de 2020 até agosto de 2020.

 

Essa queda no preço da energia no curto prazo refletiu também nos preços de médio prazo, abrindo uma janela de oportunidade para consumidores renovarem seus contratos.
Neste sentido, a BASE Energia orientou seus clientes a aproveitar o momento oportuno para compra e vários o fizeram.

 

Atraso nas chuvas e retomada econômica

A condição de excedente de oferta e baixa nos preços não durou muito, chuvas escassas e retomada da atividade industrial inverteu novamente balança.
O presidente da Associação Brasileira das Empresas de Geração de Energia, Flavio Neiva, alerta que apesar de estarmos no começo da estação chuvosa de 2020-2021, o cenário do armazenamento é alarmante e deixa o setor elétrico em estado de atenção. Neiva aponta diversas consequências caso as chuvas dos meses
subsequentes não venham em volumes suficientes para recuperar, ao menos em parte, os reservatórios essenciais do Sistema Interligado Nacional.
São elas, a elevação dos custos da operação do SIN, com geração de termelétricas na base, até mesmo com as mais caras, por um amplo período; preços de curto prazo exorbitantes; instauração da bandeira vermelha por mais tempo; imprecisão sobre o risco hidrológico, pela probabilidade do deslocamento de geração hidrelétrica;

 

flexibilização de restrições hídricas nas usinas e adversidades de manutenção no parque gerador.
Para o executivo da Abrage, janeiro é o mês mais significativo para apontar a estação chuvosa e designar a regeneração dos níveis dos reservatórios. Se acontecer uma reversão do quadro atual a partir do mês que vem, afirma, a expectativa é de que a operação do sistema transcorra normalmente em 2021.
Neiva também interpreta o crescimento da carga como um sinal de retomada. “A recuperação do consumo de energia elétrica, em níveis 73.000 MWm no mês de dezembro, sinaliza que teremos um consumo bastante aquecido durante 2021, indicando uma recuperação da economia pós pandemia”, completa Neiva.
Com a possibilidade de uma vacina ser disponibilizada e o aquecimento da economia no final do ano, a carga reagiu em “V” mudando o estado de redução para crescimento.

 

Acionamento das Bandeiras Tarifárias

O presidente da Associação Brasileira de Investidores em Autoprodução de Energia, Mário Menel, recorda que em julho o país encontrava-se em uma situação confortável, com sobra estrutural de energia, uma hidrologia perto da Média de Longo Termo e o melhor nível de reservatórios em anos. Outubro foi o pior mês em 81 anos do histórico e, na contramão, a carga começou a se recuperar, o que é uma coisa boa do ponto de vista de economia e ruim para o setor elétrico.
Isso desencadeou o aumento da geração térmica e a importação de energia.
O cenário hidrológico desfavorável com reservatórios em baixa nas bacias essenciais do sistema interligado desencadeou um sinal de alerta que resultou na adesão pela ANEEL do nível mais alto das bandeiras tarifárias: a vermelha patamar 2.
O consumidor cativo pagará em dezembro R$ 6,243 a cada 100 kWh consumido, o que na análise de alguns agentes do setor é um remédio amargo, porém necessário, ao mesmo tempo que para outros reflete também um cenário preocupante.

 

 

Reajuste tarifário

 

O reajuste e as revisões são mecanismos pelos quais as tarifas de energia elétrica podem ser alteradas.
Estão previstos nos contratos de concessão e permitem a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro das concessionárias.
A tabela abaixo indica os percentuais de reajuste das principais concessionárias que atuam em São Paulo.

 

Os principais fatores apontados pelas distribuidoras para o reajuste tarifário foram a elevação dos custos não gerenciáveis, tais como aumento do custo de geração de energia por conta da expressiva alta da taxa do dólar e dos custos de transmissão por conta da incorporação de novas instalações no sistema integrado brasileiro.

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