InfoBase #9 – Chuvas Abaixo da Média Em Dezembro e Janeiro Geram Impactos na Comercialização de Energia

Apesar das chuvas caudalosas observadas no mês de março, o volume de chuva registrado neste último verão ficou abaixo da média, mantendo assim o viés de alta no preço da energia elétrica no mercado livre. Observa-se porem, um fortalecimento e expansão do mercado livre, que ainda tem mostrado viabilidade frente ao mercado cativo, ademais, consumidores do mercado cativo se mostram animados com a real possibilidade de redução no limite de demanda para se tornar Consumidor Livre, trazendo também para estes consumidores menores, a liberdade de adquirir a energia no mercado livre e ainda podendo ser incentivada ou convencional.

 

Chuvas abaixo da média no período úmido pode impactar todo o ano

A retração nos níveis de Energia Natural Afluente que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) vem apresentando nas seguidas revisões semanais do Programa Mensal de Operação (PMO) para janeiro não foi um evento inesperado.

El Niño no Pacífico, apesar de não ter sido oficialmente declarado, está ativo e as condições meteorológicas mostram que o fenômeno está caracterizado. Associado a isso, há uma área de alta pressão que impede a chegada de chuvas nos reservatórios. Situação essa que permaneceu até o final de fevereiro, ou seja, dois meses após a redução dos volumes de chuva em pleno período úmido.

De acordo com o Climatempo, as condições de calor no Sudeste, seca no Nordeste e chuvas no Sul e Norte são alguns dos eventos que caracterizam o El Niño, que só não foi declarado porque o National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) não está funcionando por conta do fechamento das atividades não essenciais do governo dos Estados Unidos.

“O período úmido para a meteorologia começou em meados de outubro, foi um início excelente com bastante chuvas em novembro até meados de dezembro. A partir de então as chuvas pararam e derrubaram as médias. A perspectiva é de que vejamos uma retomada na penúltima semana de fevereiro, ou seja, dois meses sem volumes próximos da média histórica em pleno período úmido”, explicou. “O que vemos é que 60 dias de menos chuva do que o normal em pleno período úmido impacta todo o ano”, declarou.

As projeções de Energia Natural Afluente (ENA) do ONS veio caindo desde a apresentação do Programa Mensal de Operação. Originalmente eram esperadas vazões de 82% da média de longo termo no Sudeste/Centro-Oeste, uma semana depois o índice até foi elevado para 83%, mas na mais atual projeção o indicador esperado ao final de janeiro é de 74% da média histórica. No Nordeste a previsão inicial era de 47% e agora está em 44% da MLT (Média de Longo Termo). No Sul e no Norte passaram de 80% para 74% e de 105% para 84% da média, respectivamente.

Para março, a perspectiva atual é de que o volume de chuvas deverá situar-se entre o normal e o pouco acima da média. Uma das explicações que podem ser atribuídas à irregularidade das chuvas no período que o país deveria formar suas reservas de água para o ano está no fato de existir um bloqueio atmosférico, ao mesmo tempo em que na costa do Chile o Pacífico está mais frio que o normal e o Atlântico “bem mais quente, na casa de 2 a 3 graus”, segundo a meteorologista. “A redução das chuvas deve-se às causas oceânicas”, destacou. Além disso, os jatos baixos, que direcionam a umidade da Amazônia, que é a encarregada de transportar os famosos rios aéreos estão direcionando essa umidade para o estado do Rio Grande do Sul. FONTE: Canal Energia/ONS

 

Níveis dos reservatórios

Pelo histórico mostrado pela ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) nas tabelas abaixo, há expectativa para o mês de março de que haja uma recuperação dos níveis dos reservatórios, porém mesmo assim, permanecendo abaixo dos números indicados no mesmo período do ano de 2018.

Fonte: ONS

Mesmo com a retomada das chuvas de março (que estão ligeiramente acima da média), os reservatórios chegarão ao final de março com 40% de armazenamento no SE/CO, valor inferior ao mesmo período de 2018.

Diante do cenário colocado, o que se espera é que o preço da energia no curto prazo apresente bastante volatilidade durante o ano com o PLD médio na faixa dos R$300,00/MWh. Um outro ponto e atenção é com relação às curvas de preços de longo prazo. Com baixa recuperação dos reservatórios, os preços de longo prazo tendem a sofre pressão uma vez que há uma maior procura por consumidores que queiram se proteger de altas ainda maiores e uma expectativa de preços altos no curto prazo (aumento a possibilidade de ganhos dos geradores).

Cabe frisar que os reservatórios baixos criam um cenário de maior dependência de chuvas nos próximos verões. Caso as chuvas frustrem, o consumidor pode não acompanhar tal movimento e observar aumentos de R$ 30,00 a R$ 40,00/MWh no preço da energia em um prazo de 10-15 dias.

Já pelo lado do Política Energética, as sinalizações dadas pela equipe do novo governo, liderada pelo ministro de Minas e Energia, almirante de esquadra Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Junior, tem se mostrado apoiadores do Mercado Livre e tem mantido uma agenda bastante competente no que tange novas usinas. A Expansão da oferta tem sido feita de forma consistente e recente definição da agenda de leilões mostra uma previsibilidade que agrada os investidores de novas usinas.

Consulta Pública é lançada pelo MME e gera elogios das associações

A Consulta Pública nº63 foi lançada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) para aceleração da abertura do mercado livre permitindo a redução do limite de demanda contratada para enquadramento de Consumidores Livres, admitindo assim que mais consumidores do ACL (Ambiente de Contratação Livre) possam também utilizar energia de fontes convencionais.

O lançamento desta CP foi elogiada pelas associações dos consumidores de energia. O presidente da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livre, Edvaldo Santana, classificou a medida como uma das melhores decisões tomadas pelo governo nos últimos anos, já que em vez de restringir, ela libera o acesso ao ACL, acreditando que a energia incentivada não vá sofrer desinteresse, já que uma nova faixa de consumidores poderão ter acesso a opção da energia convencional.

Para o presidente da Associação Nacional dos Consumidores de Energia, Carlos Faria, ela é positiva porque amplia o mercado. “A abertura do mercado é um processo que está mais do que maduro, estava previsto há muitos anos. Queríamos já reduzir o limite no próximo ano” aponta. A associação vai propor na consulta que o limite de 2 MW já seja praticado em 2019. Assim como Santana, Faria também não vê desinteresse pela fonte incentivada, já que ela ainda teria uma fatia do mercado de consumidores especiais para atuar.

Mesmo a CP sendo bem aceita em algumas associações, o presidente executivo da Associação Brasileira de Geradoras de Energia Limpa, Charles Lenzi, se posicionou a favor do mercado livre e da sua abertura, porém criticou o movimento feito pelo governo. Ele quer mais prazos e discussão para essa redução de limite. “Não somos contrários à abertura de mercado, mas ela deve ser feita de forma paulatina e gradual”, afirma. Para ele, a energia de um projeto mais forte, como um estruturante ou algum que tenha subsídios no seu financiamento ou nos custos, vai competir de modo desigual com uma PCH (Pequenas Centrais Hidrelétricas), precisando assim, garantir uma correta distribuição de custos para que possa haver uma disputa entre as fontes, pensando nos pequenos geradores. Ele também acredita que é necessária uma preparação para a abertura, com responsabilidade e obrigações a todos os agentes, já que o mercado cativo estará reduzido.

Ainda segundo Lenzi, a energia incentivada vai perder o interesse, já que ela vinha sendo produzida em um ambiente com regras claras a eles e com um mercado destinado. A associação vai elaborar uma contribuição que será enviada para a consulta pública.

Para Walfrido Ávila, da comercializadora Tradener, o movimento do governo alcança consumidores que já estavam no mercado livre, mas que só podiam comprar energia incentivada. Segundo ele, a aceleração também veio pela escassez de energia incentivada no mercado, já que a construção de PCHs vem sendo dificultada ao longo dos últimos anos e as eólicas só agora vem começando uma expansão no ACL. “Não sei qual é problema que os nossos governantes não abrem o nosso mercado de energia”, dispara. FONTE: Canal Energia

  

CCEE completa 20 anos e lança livro comemorativo sobre o mercado de energia

Em 10 de fevereiro de 1999, nascia a Administradora do Mercado Atacadista de Energia – Asmae e, junto com ela, o mercado brasileiro de energia elétrica. Em 2002, a Asmae é substituída pelo Mercado Atacadista de Energia – MAE, portanto sendo extinta em 2004 dando lugar à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE, completando assim duas décadas de existência no dia 10 de fevereiro deste ano.

No dia 7 de fevereiro, a CCEE lançou um livro comemorativo dos 20 anos do mercado brasileiro de energia elétrica para relembrar toda essa trajetória. A publicação reúne artigos de 23 especialistas de renome do setor elétrico, que analisam em retrospectiva episódios decisivos para o desenvolvimento do setor elétrico nacional, além de debater desafios e oportunidades para os próximos capítulos desta história.

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, ressaltou durante o lançamento a importância da CCEE para o mercado ao longo dos últimos 20 anos. “A organização tem demonstrado um histórico vencedor e desempenhado um protagonismo fundamental para o desenvolvimento do setor de energia elétrica, seguindo os padrões de ética, transparência, inovação e segurança de informação”.  FONTE: CCEE.

Leave a Reply